Banco da Vitória em 1928 - por Roberto Carlos Rodrigues.



"Depois da curva o rio encontra os lábios do mar. É a maré salobra. A mata é de um verde brilhoso que cerca as paisagens e anuncia o verdadeiro paraíso indicado pela inesquecível Pedra de Guerra. 

Do céu azul impar respingam pássaros e sonhos de todas as naturezas, cores e possibilidades. É o inesquecível cobertor do lugar.

Nas águas mansas do velho Rio Cachoeira fervilham peixes e mariscos em profusões jamais vistas em todas essas plagas. Aqui não há fome e a paz reina entre a natureza e suas crias.

Nos ares mornos desse lugar, o aroma da terra suada perfuma a vida de um povo feliz pela própria natureza. O cacau brota de árvores em milhares de caules e, como os dias que despencam dos antigos calendários, fazem a alegria dos vivos. Tudo aqui é possível. Sabe-se facilmente. Basta somente o trabalho e a fé. O resto, a terra cuida e protege. 

Sabe-se logo que se está em Banco da Vitória do Rio Cachoeira. O destino dos sonhos possíveis. Ainda não é Ilhéus, se ver pela falta do mar aberto e pelo aroma ainda fraco da maresia. Mas, por certo, o melhor lugar do mundo já foi alcançado.

Pelo menos é assim que pensam os moradores deste lugar. É assim que eles se orgulham e se defendem. São felizes com o privilégio divino de viver neste maravilhoso lugar. Ali são amados e amantes.

Se ainda há melhor lugar, então eu sei que preciso de novas caminhadas. Pois estou em Banco da Vitória. Na verdade, sinto-me realmente vivo e pronto para brotar na terra que tanto sonhei encontrar.”

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